Planejamento (FP&A)

535 mil vagas temporárias nascem a cada fim de ano no Brasil, e a maioria delas nunca passou pelo orçamento de headcount

A Asserttem projeta 535 mil contratos temporários entre outubro e dezembro, alta de 7,5%. Veja como planejar esse headcount de pico antes de setembro.

Time Gridzi8 min de leitura

A Asserttem projeta 535 mil contratos de trabalho temporário entre outubro e dezembro de 2025, alta de 7,5% sobre o mesmo período de 2024. Só no varejo, a CNC estima 112,6 mil vagas para o Natal, e o Índice de Confiança do Empresário do Comércio de novembro já mostrava 70% dos comerciantes com intenção de contratar entre a Black Friday e o Natal. O detalhe que a maioria dos comitês de orçamento deixa passar é o calendário: esse headcount nasce e desaparece dentro de um trimestre que já vem depois do fechamento do budget anual, sem linha própria na planilha. Quem lidera RH ou Finanças no varejo, na indústria ou na logística tem, em agosto, a janela para tratar esse pico como cenário de custo, não como decisão de outubro tomada correndo.

HEADCOUNT DE PICO · FIM DE ANO535 milcontratos temporários out-dez+7,5% vs 2024indústria 50%serviços 30%comércio 20%
535 mil contratos temporários devem nascer entre outubro e dezembro, alta de 7,5% sobre 2024, e quase a metade vem da indústria, não do varejo, segundo a Asserttem.

#Quantas vagas temporárias o fim de ano realmente abre no Brasil?

Depende de qual pedaço do fim de ano a pesquisa mede, e os três levantamentos disponíveis não medem a mesma coisa. A Asserttem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário) projeta 535 mil contratos entre outubro e dezembro de 2025 somando todos os setores, com a indústria à frente (50% das vagas), seguida por serviços (30%) e comércio (20%). A CNC restringe o recorte ao Natal e ao varejo, e chega a 112,6 mil vagas, alta de cerca de 5% sobre as 107,1 mil de 2024. Já a CNDL, em parceria com o SPC Brasil, ouviu 533 empresas e estimou 118 mil vagas temporárias de fim de ano só no varejo, alta de 7,3%.

As três pesquisas concordam no essencial: o mercado de temporários cresce todo ano, num ritmo de 5% a 8%, e a maior parte do volume nem está no comércio que aparece nas manchetes de Black Friday. Está na indústria, que reforça linha de produção para atender o pico de demanda do varejo, e nos serviços, sobretudo logística, puxados pelo crescimento do comércio eletrônico.

Três pesquisas, três recortes: nenhuma mede exatamente a mesma coisa, mas todas apontam crescimento na faixa de 5% a 8% ao ano na contratação temporária de fim de ano.
LevantamentoRecorteVagas projetadas (2025)Variação vs. 2024
AsserttemTodos os setores, out-dez535 mil+7,5%
CNCVarejo, Natal112,6 mil+5,0%
CNDL / SPC BrasilVarejo, fim de ano118 mil+7,3%
Três pesquisas, três recortes: nenhuma mede exatamente a mesma coisa, mas todas apontam crescimento na faixa de 5% a 8% ao ano na contratação temporária de fim de ano.

#Por que esse headcount nasce fora do orçamento anual?

Porque o calendário de decisão e o calendário de orçamento não se encontram. O budget de pessoal do ano seguinte costuma fechar entre agosto e novembro, o período que a própria FP&A da folha trata como janela crítica. A decisão de quantos temporários contratar para o pico, em contraste, costuma amadurecer em setembro e outubro, quando a operação já sente a pressão da demanda chegando e o RH corre atrás de gente. O resultado é previsível: o headcount temporário entra na conta depois que boa parte das outras decisões de custo de pessoal já foi tomada, disputando orçamento com contratações permanentes que também estavam na fila.

Isso não é um problema de planilha, é um problema de sequência. Alexandre Leite Lopes, presidente da Asserttem, resume por que o trabalho temporário costuma ser a primeira alavanca das empresas para esse tipo de pico previsível:

O trabalho temporário é uma alternativa eficiente que garante flexibilidade, agilidade e segurança jurídica às empresas, além de oportunidades de formalização e renda real para os trabalhadores.

Alexandre Leite Lopes, presidente da Asserttem, em comunicado sobre a contratação temporária de fim de ano (2025)

A flexibilidade só compensa quando o custo dela está no orçamento antes da urgência aparecer. Empresa que decide em outubro quantos temporários contratar geralmente decide olhando para a vaga em aberto, não para o custo total do trimestre, e o mercado de trabalho apertado de 2026 torna esse improviso mais caro: como já detalhamos ao falar do mercado de trabalho apertado, contratar rápido custa mais quando a desocupação está na mínima histórica.

#Onde essas vagas se concentram, e o que isso muda no planejamento?

No varejo, quase metade da vaga temporária de Natal fica em hiper e supermercados, segundo a CNC. O resto se divide entre vestuário e calçados, e utilidades domésticas e eletroeletrônicos, categorias com pico concentrado nas duas ou três semanas que antecedem o Natal. A função também é previsível: 91 em cada 100 vagas temporárias, em qualquer segmento, são para vendedor, operador de caixa, almoxarife, armazenista ou técnico de vendas.

Hiper e supermercados

quase metade de toda a vaga temporária de Natal do varejo nasce neste segmento

49,4%

Vestuário e calçados

segundo maior segmento, puxado pela reposição de estoque para as vitrines de dezembro

22,6%

Utilidades domésticas e eletroeletrônicos

terceiro segmento, concentrado nas duas semanas antes do Natal

16,8%

Os três segmentos somam 88,8% da vaga temporária de Natal no varejo brasileiro, segundo a CNC. Nove em cada dez posições, em qualquer segmento, são para vendedor, operador de caixa, almoxarife, armazenista ou técnico de vendas: funções de linha de frente, não de retaguarda.

Esse detalhe muda a forma de orçar. Um plano de headcount de pico não precisa cobrir todas as funções da empresa, precisa cobrir um punhado de cargos de linha de frente, com contrato médio de 2,5 meses, segundo a Asserttem. É um cálculo mais simples do que o headcount anual, mas só funciona se alguém rodar esse cenário antes de setembro, com a projeção de vendas do próprio negócio, não com a média nacional do ano anterior.

#Quantos temporários viram efetivos, e como isso pesa no orçamento de 2026?

Depende de qual metade da história a empresa está medindo. A CNC projeta que os varejistas efetivem cerca de 11% dos temporários de Natal, algo como 12,1 mil das 112,6 mil vagas abertas. A Asserttem, olhando o mercado inteiro, encontra 47% das empresas sinalizando intenção de efetivar parte do time temporário ao fim do contrato. Os dois números não se contradizem: um mede quanto realmente vira contratação permanente, o outro mede quantas empresas cogitam fazer isso antes mesmo de o trimestre começar.

Essa diferença entre intenção e efetivação é exatamente o tipo de decisão que não deveria ser tomada em janeiro, sob pressão do resultado de dezembro. Quem já soma o custo real de contratar mais uma pessoa sabe que efetivar um temporário custa menos do que abrir e treinar uma vaga nova do zero, porque a curva de aprendizado do cargo já foi paga no trimestre anterior. Decidir o critério de efetivação em agosto, junto com o resto do budget, transforma uma decisão emocional de janeiro numa regra que já está no orçamento antes de o primeiro temporário ser contratado.

#Como planejar o headcount de pico sem estourar o orçamento

Quatro passos cabem no ciclo de budget que já está em curso agora, em agosto e setembro.

  1. Mapeie os cargos de pico separadamente do headcount permanente. Vendedor, caixa, almoxarife e armazenista costumam concentrar 9 em cada 10 vagas temporárias: liste esses cargos e o volume esperado antes de a operação sentir o aperto de outubro.
  2. Simule dois ou três cenários de custo, não um número fechado. Volume de contratação, duração média do contrato e salário do ano corrente multiplicam o custo total: rodar isso como cenário, e não como estimativa única, evita que a diretoria descubra o número real só no fechamento de dezembro.
  3. Defina o critério de efetivação antes do pico, não depois dele. Se a meta é efetivar 10% ou 40% dos temporários, essa regra entra no orçamento de 2026 já em agosto, como linha de contratação permanente que nasce do trimestre anterior.
  4. Acompanhe o custo por temporário separado do custo por contratação permanente. Misturar os dois no mesmo relatório ao board esconde se o pico está custando dentro do previsto ou vem crescendo ano após ano, na mesma proporção de 5% a 8% do mercado.

Esses quatro passos só funcionam com o mesmo dado de custo circulando entre o cenário de pico e o orçamento anual aprovado, o cruzamento que sustenta o headcount na FP&A da folha. Use a calculadora de custo de contratação para testar quantos temporários cabem no orçamento do trimestre antes de a operação decidir sozinha, e confira a definição de headcount no glossário para alinhar o termo com quem lê o relatório.

O varejo, a indústria e a logística vão contratar entre 500 mil e 550 mil temporários outra vez neste fim de ano, e o número deve crescer de novo em 2026. A diferença entre a empresa que fecha o trimestre no previsto e a que corre atrás do custo em janeiro não é o tamanho do time contratado. É se esse headcount entrou no orçamento em agosto ou só apareceu na planilha em dezembro.

Contratos temporários projetados entre outubro e dezembro de 2025 (535 mil, alta de 7,5% sobre 2024, com indústria 50%, serviços 30% e comércio 20% do total, contrato médio de 2,5 meses e 47% das empresas sinalizando intenção de efetivação): Asserttem (Associação Brasileira do Trabalho Temporário), 2025. Citação de Alexandre Leite Lopes, presidente da Asserttem, em comunicado sobre a contratação temporária de fim de ano (2025). Vagas temporárias de Natal no varejo (112,6 mil em 2025 ante 107,1 mil em 2024, efetivação projetada de 12,1 mil pessoas, 11% do total, distribuição por segmento com hiper e supermercados em 49,4%, vestuário e calçados em 22,6% e utilidades domésticas e eletroeletrônicos em 16,8%, 91 em cada 100 vagas em funções de vendas e operação, e alta real de 2,7% no salário do temporário, próximo a R$ 2,5 mil): Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) de novembro de 2025 apontando 70% dos comerciantes com intenção de contratar entre a Black Friday e o Natal. Vagas temporárias de fim de ano no varejo (118 mil, alta de 7,3% sobre 2024, pesquisa com 533 empresas): CNDL em parceria com o SPC Brasil, 2025.

#Perguntas frequentes

Quantas vagas temporárias o Brasil deve abrir no fim do ano?
A Asserttem projeta 535 mil contratos temporários entre outubro e dezembro de 2025, alta de 7,5% sobre 2024, distribuídos entre indústria (50%), serviços (30%) e comércio (20%). Só no varejo, a CNC estima 112,6 mil vagas para o Natal, e a CNDL, em parceria com o SPC Brasil, chega a 118 mil.
Por que a contratação temporária de fim de ano pega o orçamento de surpresa?
Porque o budget anual de pessoal costuma fechar entre agosto e novembro, mas a decisão de quantos temporários contratar amadurece em setembro e outubro, quando a operação já sente a pressão da demanda. Sem um cenário de custo simulado antes do fechamento do orçamento, esse headcount entra na conta como decisão de última hora.
Quantos temporários costumam ser efetivados depois do pico?
A CNC projeta 11% dos temporários de Natal efetivados no varejo (cerca de 12,1 mil de 112,6 mil vagas), enquanto a Asserttem encontra 47% das empresas sinalizando intenção de efetivar parte do time temporário ao fim do contrato. A diferença é entre efetivação projetada e intenção declarada, e vale a pena definir esse critério antes do trimestre de pico, não depois dele.
Quais funções concentram a vaga temporária de fim de ano?
Segundo a CNC, 91 em cada 100 vagas temporárias, em qualquer segmento do varejo, são para vendedor, operador de caixa, almoxarife, armazenista ou técnico de vendas. Hiper e supermercados sozinhos respondem por 49,4% do total, seguidos por vestuário e calçados (22,6%) e utilidades domésticas e eletroeletrônicos (16,8%).
Como simular o custo do headcount temporário antes de decidir?
Mapeando separadamente os cargos de pico, o volume esperado e a duração média do contrato (2,5 meses, segundo a Asserttem), e rodando dois ou três cenários de custo total antes do fechamento do orçamento anual, em vez de uma estimativa única baseada no valor pago no ano anterior.
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