42% dos brasileiros apontam o dinheiro como maior preocupação, 79% perdem 1 hora de trabalho por semana com isso, e só 8% das empresas fazem algo a respeito
Pesquisa da Onze com a Icatu Seguros ouviu 8.391 pessoas: 79% perdem 1h de trabalho por semana com estresse financeiro, e só 8% das empresas oferecem apoio.
O dinheiro é a principal preocupação de 42% dos brasileiros, à frente de saúde, família, violência, política e trabalho, pelo quinto ano seguido. A conta não fica só na vida pessoal de quem trabalha: 79% dos entrevistados dizem perder mais de uma hora de expediente por semana lidando com isso, e apenas 8% das empresas oferecem qualquer tipo de apoio, segundo o Raio-X da Saúde Financeira dos Brasileiros, pesquisa da fintech Onze com a Icatu Seguros que ouviu 8.391 pessoas entre 26 de maio e 1º de junho de 2026. Esse tempo perdido nunca aparece numa linha de orçamento, mas ele reduz a capacidade real da equipe todo mês.
Esse tipo de custo invisível já apareceu antes no orçamento de pessoal. O guia sobre afastamento por saúde mental e planejamento de headcount mostrou o INSS batendo recorde de licenças em 2025. O estresse financeiro segue uma lógica parecida. Raramente vira um afastamento formal, mas corrói a produtividade de quem continua sentado na cadeira, cumprindo o horário sem entregar o que entregaria numa cabeça mais livre.
#Por que o dinheiro passou a pesar mais que a saúde na cabeça do trabalhador?
Pela quinta vez seguida, o dinheiro superou saúde, família, violência, política e trabalho como a maior fonte de preocupação do brasileiro. Na pesquisa da Onze com a Icatu Seguros, 42% apontaram as finanças pessoais em primeiro lugar, contra 22% para saúde e 15% para família. Violência ficou com 10%, política com 6% e o próprio trabalho, curiosamente, com apenas 5%.
Quase todo mundo carrega algum peso financeiro: 95% dos entrevistados relataram pelo menos um tipo de preocupação com dinheiro. O medo mais comum é não ter reserva para uma emergência, citado por 58%. Na sequência vêm a dificuldade para fechar as contas do mês (33%), o receio sobre o futuro dos filhos (25%) e a incapacidade de quitar dívidas ou limpar o nome (22%). Não é um problema concentrado em quem ganha menos. É transversal o suficiente para estar na mesa de quase toda equipe, em quase todo cargo.
#Quanto isso custa em horas de trabalho?
O impacto direto na produtividade aparece em dois números da mesma pesquisa: 45% dos trabalhadores acreditam que a preocupação com dinheiro afeta o próprio rendimento, e 79% relatam perder mais de uma hora de expediente por semana resolvendo, ou só remoendo, assuntos financeiros.
O fenômeno não é exclusivo do Brasil. A Employee Financial Wellness Survey 2026 da PwC, nos Estados Unidos, achou 59% dos funcionários estressados com as próprias finanças, e esse grupo tem quatro vezes mais chance de se dizer distraído no trabalho por causa disso. Mais da metade dos distraídos passa três horas ou mais por semana cuidando de dinheiro durante o expediente, e 49% dizem que o salário não acompanha o custo de vida. A régua muda de país para país. A direção é a mesma: gente estressada com dinheiro rende menos, em qualquer lugar.
Para ver o tamanho disso numa equipe real, vale fazer a conta com o número mais conservador da pesquisa brasileira. Numa empresa de 300 pessoas, se 79% perdem uma hora de trabalho por semana, são 237 pessoas vezes uma hora vezes cerca de 4,3 semanas no mês: por volta de 1.020 horas mensais saindo da produção, o equivalente a mais de seis posições de tempo integral trabalhando para o problema, não para a empresa. Nenhuma dessas horas aparece na folha, no ponto ou em relatório de RH. Elas só aparecem quando alguém para para medir.
#É só falta de dinheiro, ou falta de plano?
O dado que mais chama atenção na pesquisa não é sobre renda, é sobre estrutura: apenas 8% dos entrevistados disseram que a própria empresa oferece consultoria, programa de educação financeira ou qualquer outra iniciativa de apoio ao tema. A maioria das empresas brasileiras simplesmente não trata isso como um problema de RH.
Educação, proteção e planejamento de longo prazo se tornam cada vez mais relevantes.
A fala de Rocha aponta para o que a pesquisa reforça: quanto a pessoa ganha importa menos do que parece. O que muda o resultado é ter informação, planejamento e ferramenta para decidir melhor com o que já tem. Isso muda o tipo de solução. Um aumento pontual resolve por um mês. Um programa estruturado de educação financeira, com acompanhamento e frequência, ataca a causa que se repete todo mês.
#O que o orçamento de pessoal ainda não enxerga
O planejamento de headcount tradicional assume que cada posição entrega 100% da capacidade contratada. Esse número mostra que boa parte do time já chega ao expediente operando abaixo disso, por um motivo que não tem nada a ver com carga de trabalho, ferramenta ou gestão. É o mesmo hiato que mostramos no guia sobre capacidade real do headcount: o número aprovado no orçamento raramente é igual ao número que efetivamente produz.
| O que a pesquisa mediu | Número | Fonte |
|---|---|---|
| Dinheiro como principal preocupação (5º ano seguido) | 42% | Onze + Icatu Seguros, 2026 |
| Alguma preocupação financeira | 95% | Onze + Icatu Seguros, 2026 |
| Acreditam que isso afeta a própria produtividade | 45% | Onze + Icatu Seguros, 2026 |
| Perdem mais de 1h de trabalho por semana com isso | 79% | Onze + Icatu Seguros, 2026 |
| Empresas que oferecem algum apoio ao tema | 8% | Onze + Icatu Seguros, 2026 |
| Trocariam de emprego por benefício de saúde financeira | 70% | Onze + Icatu Seguros, edição 2025 |
| Trabalhadores estressados com as finanças (EUA) | 59% | PwC, Employee Financial Wellness Survey 2026 |
Apontam o dinheiro como principal preocupação
à frente de saúde, família, violência, política e trabalho, pelo 5º ano seguido
42%
Perdem mais de 1 hora de trabalho por semana
relatam essa perda de produtividade por causa do estresse financeiro
79%
Empresas que oferecem algum apoio
consultoria, educação financeira ou outra iniciativa sobre o tema
8%
Quase metade do time chega ao trabalho preocupada com dinheiro antes de qualquer coisa, a maioria perde tempo de produção por causa disso, e quase nenhuma empresa colocou algo no orçamento para lidar com isso.
#O que fazer com esse número, na prática
- Trate isso como retenção, não como benefício periférico. Na edição de 2025 do mesmo levantamento, 70% dos profissionais disseram que trocariam de emprego por uma empresa com previdência corporativa ou suporte à saúde financeira. O turnover que um programa desses evita já cobre boa parte do investimento, como mostramos no guia sobre custo do turnover.
- Comece pelo que custa pouco e falta em quase toda empresa. Só 8% oferecem qualquer apoio hoje. Uma trilha básica de educação financeira, sem grande investimento, já coloca a empresa à frente da maioria do mercado.
- Leve a hora perdida para o orçamento de pessoal, não só para o RH. Uma hora por semana em 79% do time é um número de capacidade, e capacidade é conversa de orçamento de pessoal, não só de clima organizacional.
- Meça antes e depois. Sem uma linha de base, ninguém sabe se o programa funcionou. Uma pesquisa curta de clima financeiro, repetida a cada seis meses, já é suficiente para acompanhar a tendência.
O orçamento de pessoal de qualquer empresa já soma salário, encargos, benefícios e provisão de rescisão. O que ele quase nunca soma é a hora que o próprio time perde, dentro do expediente, pensando em como vai fechar o mês. Esse número existe, tem fonte e é maior do que a maioria dos comitês de orçamento imagina. A pergunta não é mais se a empresa pode pagar por um programa de saúde financeira. É quanto ela já está pagando por não ter um.
Dados da 5ª edição do Raio-X da Saúde Financeira dos Brasileiros (Onze + Icatu Seguros, 8.391 pessoas ouvidas entre 26 de maio e 1º de junho de 2026): dinheiro como principal preocupação (42%, 5º ano seguido), preocupação financeira geral (95%), impacto percebido na produtividade (45%) e perda de mais de uma hora de trabalho por semana (79%), segundo a Mundo RH. Citação de Antonio Rocha, CEO e cofundador da Onze, e percentual de empresas com apoio ao tema (8%), segundo o Correio Braziliense. Percentual de profissionais que trocariam de emprego por benefício de saúde financeira (70%), da edição de 2025 do mesmo levantamento, segundo a Serasa Experian. Dados dos Estados Unidos (59% de trabalhadores estressados com as finanças, 4x mais chance de distração no trabalho, mais de 3 horas semanais tratando de finanças pessoais no expediente entre os distraídos, e 49% com percepção de que o salário não acompanha o custo de vida), segundo a PwC, Employee Financial Wellness Survey 2026. Estimativa de horas mensais perdidas numa equipe de 300 pessoas é cálculo ilustrativo do Time Gridzi, aplicado sobre o percentual de 79% da pesquisa Onze + Icatu Seguros.