Planejamento (FP&A)

Planejamento de sucessão: por que 1 em cada 3 CEOs do S&P 500 já vem de fora

Contratação externa de CEO quase dobrou em um ano. Veja os dados por trás da lacuna de sucessores e como mapear cargos críticos no planejamento de sucessão.

Time Gridzi9 min de leitura

Em 2025, uma em cada três novas contratações de CEO no S&P 500 veio de fora da empresa — o dobro da fatia de 2024 e o maior nível em oito anos, segundo levantamento do Conference Board, da Egon Zehnder e da Semler Brossy. O motivo não é escassez de talento no mercado: é a falta de um sucessor pronto dentro de casa. Para quem lidera pessoas e orçamento, esse número é um alerta que vai muito além do C-level — ele mostra que o plano de sucessão deixou de ser burocracia de RH e virou risco de negócio com preço definido.

18%202433%2025% de CEOs contratados de fora (S&P 500)
Contratação externa de CEO no S&P 500: de 18% em 2024 para 33% em 2025 — quase o dobro, e o maior nível em oito anos.

#Por que a contratação externa de CEO quase dobrou em um ano?

Porque o candidato interno não estava pronto — ou não existia. O mesmo estudo do Conference Board mostra que a taxa de sucessão nas empresas do S&P 500 subiu para 12,5% em 2025, acima da média de 11% das últimas duas décadas e meia e bem superior aos 9,8% de 2024. Com mais cadeiras trocando de dono e menos gente pronta para ocupá-las, a saída natural do conselho é buscar fora — uma decisão mais cara, mais arriscada e que leva mais tempo para ambientar do que promover quem já conhece a empresa.

O problema não é exclusivo do topo. Segundo a SHRM, 56% das empresas não têm plano de sucessão nenhum, e apenas 21% mantêm um plano formal, documentado e revisado com regularidade — os outros 24% têm algo informal, sem dono nem data de revisão. E a Gartner constatou que só 38% dos CHROs se dizem confiantes de que vão entregar as metas de sucessão da própria empresa nos próximos 12 meses. A lacuna que hoje aparece na contratação de CEO é a mesma lacuna que, em escala menor, já existe na gerência de vendas, na engenharia e na operação — só que ali ela ainda não virou manchete.

Panorama consolidado do que os dados mais recentes mostram sobre a lacuna entre a importância declarada do plano de sucessão e a prática real dentro das empresas.
O que os dados mostram sobre sucessãoFonte
Contratação externa de CEO no S&P 500 quase dobrou: 18% em 2024 para 33% em 2025 — maior nível em 8 anosConference Board, Egon Zehnder e Semler Brossy (2025)
Taxa de sucessão de CEO no S&P 500 subiu para 12,5% em 2025, acima da média de 11% em 25 anosConference Board, Egon Zehnder e Semler Brossy (2025)
56% das empresas não têm plano de sucessão; só 21% têm um plano formal e revisadoSHRM
Apenas 38% dos CHROs confiam que vão entregar as metas de sucessão nos próximos 12 mesesGartner
86% dos líderes consideram a sucessão crítica para o resultado, mas 70% dizem que parece inútil diante da velocidade de mudançaWharton Executive Education + Harris Poll (pesquisa global, mais de 2.500 líderes)
Panorama consolidado do que os dados mais recentes mostram sobre a lacuna entre a importância declarada do plano de sucessão e a prática real dentro das empresas.

#O que é planejamento de sucessão, além do sucessor do CEO?

É o exercício de responder, para cada posição que sustenta um resultado importante, a mesma pergunta: se essa pessoa saísse amanhã sem aviso, quem assume — e em quanto tempo? Tratado assim, sucessão deixa de ser um documento guardado para a diretoria e passa a ser uma extensão natural do planejamento de força de trabalho: não basta saber quantas pessoas o próximo ano vai exigir, é preciso saber quais delas são substituíveis rápido e quais não são.

A própria Gartner aponta o viés mais comum nos planos que já existem: 61% dos líderes de RH dizem que a sucessão da empresa está concentrada demais nos cargos mais altos, sem espaço para as nuances do restante do negócio. Na prática, isso significa que a engenheira que é a única pessoa que entende um sistema legado, ou o gerente comercial que carrega metade da carteira de uma região, corre um risco de sucessão tão real quanto o do CEO — só que raramente aparece em algum comitê.

#Como mapear as posições críticas antes da vaga virar crise?

Cruzando duas perguntas simples para cada cargo: qual o impacto no negócio se essa posição ficar vaga por alguns meses, e qual o nível de prontidão dos possíveis sucessores hoje. Uma posição de alto impacto com zero sucessor em desenvolvimento é a prioridade número um da lista — não porque a pessoa que ocupa o cargo vá sair, mas porque ninguém sabe o que acontece se ela sair. Uma posição de baixo impacto com dois candidatos prontos pode esperar o próximo ciclo de revisão.

Vale evitar o erro mais comum: tratar "prontidão" como uma conversa de corredor em vez de um dado revisado. A prática que mais se sustenta ao longo do tempo é mirar pelo menos dois sucessores em desenvolvimento por posição crítica — não um nome anotado numa planilha uma vez por ano, mas alguém com um plano de desenvolvimento ativo e uma data prevista de prontidão.

Empresas pesquisadas100,0%
  • Sem plano de sucessão56,00%
  • Plano informal (sem documento nem revisão)24,00%
  • Plano formal, documentado e revisado21,00%

Mais da metade das empresas não tem nenhum plano de sucessão — o motivo mais citado é falta de tempo e de recursos dedicados ao tema, não falta de interesse.

Segundo a SHRM, mais da metade das empresas não tem plano de sucessão nenhum; menos de um quarto tem algo formal e revisado.

#Quanto custa não ter um plano de sucessão pronto?

Aparece em três lugares do orçamento ao mesmo tempo: o tempo de vaga aberta enquanto o comitê busca fora, o prêmio salarial de uma contratação externa (que historicamente custa mais do que promover de dentro) e o tempo de rampa de alguém que ainda não conhece a empresa, os clientes ou o time. Nenhum desses custos aparece isolado numa única linha — eles se somam do mesmo jeito que descrevemos em custo do turnover, só que aqui a saída era previsível e o plano que evitaria boa parte da conta nunca chegou a existir.

É por isso que sucessão precisa entrar no orçamento de pessoas com um número ao lado, não como uma linha de intenção. Se a posição crítica não tem sucessor pronto, o comitê tem três escolhas reais: acelerar o desenvolvimento de quem já está dentro, reservar orçamento para uma busca externa não planejada, ou aceitar o risco de operar sem plano nenhum — e as três custam diferente. Esse é exatamente o tipo de decisão que ganha força quando chega ao comitê com o mesmo rigor que descrevemos em como justificar uma contratação ou um aumento com dados: não a intuição de que "é importante ter um plano", mas o custo comparado de ter e de não ter um.

#Como colocar sucessão dentro do planejamento de força de trabalho?

Do mesmo jeito que o orçamento de folha não pode ficar congelado em janeiro, o mapa de posições críticas não pode ficar parado num slide apresentado uma vez por ano. O ponto de entrada mais simples é revisá-lo no mesmo ritmo do rolling forecast que já existe — trimestralmente, junto com forecast de pessoal —, perguntando três coisas a cada ciclo: a lista de posições críticas mudou, a prontidão dos sucessores em desenvolvimento avançou, e o orçamento reservado para os casos sem sucessor pronto ainda é suficiente. Isso transforma sucessão de documento estático em rotina de gestão, com dono e data de revisão.

As três ações que os próprios dados de 2026 sustentam para quem lidera pessoas e orçamento:

  1. Amplie o mapa além do C-level. Se 61% dos líderes de RH admitem que a sucessão é focada demais no topo, a correção mais barata é simplesmente descer um ou dois níveis na estrutura e perguntar onde mais existe um ponto único de falha.
  2. Meça prontidão, não intenção. Um nome anotado numa planilha não é um sucessor. Prontidão é um plano de desenvolvimento ativo com data prevista — e vale revisar essa data a cada trimestre, não a cada ano.
  3. Coloque um número ao lado de cada lacuna. Antes de descobrir o custo de uma saída no susto, calcule o custo de cada posição crítica sem sucessor — e leve esse número, junto com o custo de fechar a lacuna, para o mesmo comitê que aprova o orçamento de pessoas.

Para aprofundar o lado do orçamento, o ponto de partida é planejamento de força de trabalho, que trata a sucessão como parte da mesma conta de demanda e oferta de pessoas. Quer comparar o cenário de acelerar um sucessor interno com o de uma busca externa, lado a lado no mesmo orçamento? Conheça a comparação de cenários do Gridzi. E se o funil de sucessores internos está mais raso do que deveria, vale olhar um degrau abaixo: dados recentes de Stanford e da FGV Ibre mostram que a IA já reduz a vaga de entrada nos EUA e no Brasil, o mesmo lugar onde a empresa costuma formar quem vira sucessor lá na frente. E antes de chegar ao topo da matriz de sucessão, essa pessoa passa pela primeira promoção a gestor, o momento em que a maioria das empresas ainda erra o preparo.

Dados sobre contratação externa de CEO e taxa de sucessão no S&P 500 conforme relatório do Conference Board, Egon Zehnder e Semler Brossy (2025). Cobertura de plano de sucessão (formal, informal e ausente) conforme kit da SHRM sobre modernização do planejamento de sucessão. Confiança dos CHROs nas metas de sucessão e concentração dos planos no topo da hierarquia conforme guia de planejamento de sucessão da Gartner. Percepção de líderes sobre a importância e a dificuldade da sucessão conforme pesquisa global da Wharton Executive Education em parceria com a Harris Poll.

#Perguntas frequentes

O que é planejamento de sucessão?
É o processo de identificar, para as posições cujo impacto no negócio é alto, quem assumiria se a pessoa que ocupa o cargo saísse sem aviso — e de desenvolver ativamente esses sucessores, em vez de descobrir a resposta só quando a vaga abre.
Planejamento de sucessão serve só para CEO e diretoria?
Não. Segundo a Gartner, 61% dos líderes de RH admitem que o plano de sucessão da própria empresa está focado demais no topo da hierarquia. Qualquer posição cuja saída travaria um processo, um cliente importante ou uma decisão crítica deveria entrar no mapa, independentemente do nível hierárquico.
Como saber quais posições são críticas para o plano de sucessão?
Cruzando duas perguntas para cada cargo: qual seria o impacto no negócio se a posição ficasse vaga por alguns meses, e qual o nível de prontidão dos possíveis sucessores hoje. Posições de alto impacto com zero sucessor em desenvolvimento são a prioridade da lista.
Quanto custa não ter um plano de sucessão?
O custo aparece em três frentes ao mesmo tempo: o tempo com a vaga aberta, o prêmio salarial de uma contratação externa não planejada e o tempo de rampa de alguém que ainda não conhece a empresa. Empresas sem plano tendem a contratar mais de fora sob pressão — a contratação externa de CEO no S&P 500 quase dobrou em um ano, segundo o Conference Board.
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